quinta-feira, 24 de abril de 2008

Considerações sobre o trabalho apresentado pela mestranda Sônia à turma

Em sua pesquisa de mestrado Sônia estabelece uma ponte entre a filosofia kantiana e estóica. Estabelece a influência que a filosofia estóica, principalmente com Marco Aurélio e Cícero, teve na filosofia kantiana, no que diz respeito à concepção de virtude, dever e natureza humana. O Imperativo Categórico mostrado por Kant em seus textos é a própria consciência que todo homem possui e que age sobre ele mesmo. Essa consciência, por sua vez, é guiada pela faculdade da razão, também parte do homem, sendo, assim, o agir do homem determinado por ele mesmo. Ou seja, se ele for virtuoso ou não virtuoso a responsabilidade é apenas dele. Para Kant, a virtude é compreendida como força moral das ações, que as guia e visa a dignidade humana, sendo que, se essa virtude designar outro fim se não o próprio enaltecimento do homem ela já não será mais uma virtude. A coragem, por exemplo, sem uma ação voltada ao homem não é uma virtude, ela precisa de uma ação moral recorrente ao engrandecimento humano para validá-la. Uma das definições, dentre diversas, para virtude, em Kant, é esta: “a virtude á a força das máximas do ser humano, no cumprimento de seu dever consigo mesmo e com os outros. A virtude não está por si mesma, mas sim pela ação que ela gera segundo o Imperativo Categórico. O objetivo mais específico de sua pesquisa estabelece-se na obra “Metafísica dos Costumes”, a qual subdivide-se em doutrina do direito e doutrina da virtude. A doutrina do direito não foi abordada e dentro da doutrina da virtude se captou aspectos sobre os deveres do homem consigo e com o outro, a partir da qual se percebeu pela autora da dissertação que a doutrina da virtude como uma condição formal da liberdade, ou seja, o livre arbítrio, é o fim da razão prática. Tendo isso exposto pode-se entender porque há relação de influência da concepção estóica de existência com a virtude em Kant. Entre os estóicos se privilegiava a ação do homem perante si mesmo como forma de crescimento, ascese, e a partir dessa evolução interna o homem poderia se projetar melhor ao outro, melhorando-o também. Em suma o projeto tem como objetivo trabalhar a relação entre o dever de virtude e a antropologia. Mostra-se o dever para consigo mesmo, como preocupação com o meu próprio fim, com a busca da perfeição e o dever para com os outros. Para ambos os momentos, estóico e kantiano, o crescimento que o homem deve buscar dentro de si e para si mesmo, compreende a parcela de responsabilidade que ele tem perante a felicidade dos outros.

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