No texto apresentado por Ernani Chaves, intitulado "Nietzsche e os destinos da "arte de curar", publicado no livro "Filósofos e terapeutas em torno da questão da cura", organizado por Daniel Omar Perez, percebe-se o destino que a poesia que era tão valorizada entre os antigos como "arte de curar' acabou tendo na formação do homem moderno. 
Segundo Chaves, Nietzsche afirma que entre os antigos a tragédia teria uma força natural curativa em contraposição ao dionisíaco que ele considerava bárbaro e perigoso à saúde da cultura grega. Dentro da moral antiga, então, perturbações da alma e da cabeça que hoje são tratadas por médicos eram consideradas elementos morais e não eram entregues a médicos. Essas perturbações (principalmente no que diz respeito a nervos e a tranqüilizantes) eram encaminhadas aos filósofos ao invés de serem tratados com alcalinos e narcóticos como nos dias de hoje.
Essa função de cura da poesia tão valorizada entre os antigos nao foi inteiramente erradicada, de alguma forma mesmo nessa época de combate contra crenças e superstições, ainda percebe-se um apreendimento de pessoas ao fascínio que a poesia causa, um exemplo disso pode se explicitar quando pessoas recorrem aos poetas para dar força e sustentabilidade ao seu pensamento.
Com a formação do homem no ocidente cada vez menos grego a arte de curar acabou se direcionando ao "ideal ascético" propulsor de toda religião. A condição doentia do tipo homem nesse contexto corresponde a um homem inchado por ódio, vingança, rancor, inveja e esse acúmulo de energia tende a implodir colocando em risco a si e ao restante da sociedade. O "sacerdote ascético" é aquele que "descarrega" esses sentimentos sem causar danos à comunidade, fazendo com que o ressentimento se volte para o próprio sujeito e não para o outro. Dessa forma, essa energia negativa para comunidade permanece dentro dele na forma de pecado ou culpa e a sociedade tem sua continuidade assegurada através desse entorpecimento da dor através do afeto. Essa atitude é característica do sucesso das religiões.
Essa "arte de curar" que ajudava o "paciente" na descarga das perturbações, não teria espaço nos dias de hoje a não ser que tivesse seu sentido absolutamente pervertido, como se percebe no caso da atividade do "sacerdote ascético", modelo mais acabado dessa absoluta perversão, modelo que se torna eficaz nessa sociedade moderna do espetáculo.
Nietzsche vai considerar a "medicação" oferecida pelo "sacerdote ascético" inicialmente como de ação "hipnotizadora", com a finalidade de reduzir o sentimento de vitalidade que resulta na "renúnica de si"; em seguida com a ação de "benção do trabalho' acostumando a sociedade à "atividade maquinal"; e ainda como a prescrição de uma pequena alegria baseada no ideal do "amor ao próximo", pressuposto das instituições de ação benemérita. Esse "remédio" é eficaz quando fornecido à "formação do rebanho", pois corresponde à aversão de si em contraposição ao alívio que "associar-se" causa perante o sentimento de fraqueza sobre o qual as religiões trabalham.

Segundo Chaves, Nietzsche afirma que entre os antigos a tragédia teria uma força natural curativa em contraposição ao dionisíaco que ele considerava bárbaro e perigoso à saúde da cultura grega. Dentro da moral antiga, então, perturbações da alma e da cabeça que hoje são tratadas por médicos eram consideradas elementos morais e não eram entregues a médicos. Essas perturbações (principalmente no que diz respeito a nervos e a tranqüilizantes) eram encaminhadas aos filósofos ao invés de serem tratados com alcalinos e narcóticos como nos dias de hoje.
Essa função de cura da poesia tão valorizada entre os antigos nao foi inteiramente erradicada, de alguma forma mesmo nessa época de combate contra crenças e superstições, ainda percebe-se um apreendimento de pessoas ao fascínio que a poesia causa, um exemplo disso pode se explicitar quando pessoas recorrem aos poetas para dar força e sustentabilidade ao seu pensamento.
Com a formação do homem no ocidente cada vez menos grego a arte de curar acabou se direcionando ao "ideal ascético" propulsor de toda religião. A condição doentia do tipo homem nesse contexto corresponde a um homem inchado por ódio, vingança, rancor, inveja e esse acúmulo de energia tende a implodir colocando em risco a si e ao restante da sociedade. O "sacerdote ascético" é aquele que "descarrega" esses sentimentos sem causar danos à comunidade, fazendo com que o ressentimento se volte para o próprio sujeito e não para o outro. Dessa forma, essa energia negativa para comunidade permanece dentro dele na forma de pecado ou culpa e a sociedade tem sua continuidade assegurada através desse entorpecimento da dor através do afeto. Essa atitude é característica do sucesso das religiões.
Essa "arte de curar" que ajudava o "paciente" na descarga das perturbações, não teria espaço nos dias de hoje a não ser que tivesse seu sentido absolutamente pervertido, como se percebe no caso da atividade do "sacerdote ascético", modelo mais acabado dessa absoluta perversão, modelo que se torna eficaz nessa sociedade moderna do espetáculo.
Nietzsche vai considerar a "medicação" oferecida pelo "sacerdote ascético" inicialmente como de ação "hipnotizadora", com a finalidade de reduzir o sentimento de vitalidade que resulta na "renúnica de si"; em seguida com a ação de "benção do trabalho' acostumando a sociedade à "atividade maquinal"; e ainda como a prescrição de uma pequena alegria baseada no ideal do "amor ao próximo", pressuposto das instituições de ação benemérita. Esse "remédio" é eficaz quando fornecido à "formação do rebanho", pois corresponde à aversão de si em contraposição ao alívio que "associar-se" causa perante o sentimento de fraqueza sobre o qual as religiões trabalham.
Ao contrário dessa cultura moderna que perece devido a essa forma de arte do "sacerdote ascético" que hipnotiza e acalma, Nietzsche afirma em o "Nascimento da tragédia" que a cultura grega foi salva de perecer desse mesmo mal graças à arte: primeiro através da arte apolínea e depois pela tragédia. Epopéia e tragédia seriam o veneno contra o pessimismo.
A arte continua sendo um grande estímulo para a vida, porém é preciso combater as forças artísticas que enfraquecem esse potencial emancipatório dela. Um exemplo de arte sem potencial mostrada por Nietzsche é a arte de Wagner, à qual ele considerava arte para exaustos, pois é o rebanho que a busca para alívio, por esse motivo, o filosofo descreve esse artista como hipnotizador e mago, asim como descrevia o "sacerdote ascético".
Enfim, a mescla de poesia, música e dança se dissimulou de uma arte de curar como era vista na antiguidade para se tornar na cultura ocidental moderna um narcótico favorecedor da formação do rebanho entorpecido que se percebe facilmente nos dias de hoje.
A arte continua sendo um grande estímulo para a vida, porém é preciso combater as forças artísticas que enfraquecem esse potencial emancipatório dela. Um exemplo de arte sem potencial mostrada por Nietzsche é a arte de Wagner, à qual ele considerava arte para exaustos, pois é o rebanho que a busca para alívio, por esse motivo, o filosofo descreve esse artista como hipnotizador e mago, asim como descrevia o "sacerdote ascético".
Enfim, a mescla de poesia, música e dança se dissimulou de uma arte de curar como era vista na antiguidade para se tornar na cultura ocidental moderna um narcótico favorecedor da formação do rebanho entorpecido que se percebe facilmente nos dias de hoje.

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