Tendo assistido aos filmes: “A última tentação de Cristo”, de Scorcese e “Paixão de Cristo”, de Mel Gibson, pode-se perceber duas visões bem distintas em relação à jornada de Cristo em seus últimos momentos de vida como homem na Terra.No primeiro filme percebe-se o amor incondicional atribuído por Cristo ao seu Pai e a ao seu reino, nesse caso Jesus abraçou sua missão de salvação do reino e foi fiel até o fim, mesmo que para isso tivesse que enfrentar morte sanguinária na cruz. O castigo apresentou-se nesse primeiro caso de forma tão desumana que aparentou que havia um Deus carrasco e terrível por detrás das torturas que abandonou o filho a tal ponto de ele pensar que não tinha mais um pai protetor. A forma como esses castigos impostos por Pilatos se mostraram no filme fica incoerente com a idéia de que Jesus era “um de nós”, pois não há alguém capaz de sobreviver ao ponto em que chegaram as torturas. Apelou-se muito para a carnificina para chocar ao público e se esqueceu de privilegiar o caráter humano de Jesus, que só diferia dos homens por não ser pecador como eles. Mel Gibson poderia ter explicitado mais o caráter humano de Jesus e ainda apresentado melhor o sentido pelo qual o filho de Deus se submeteu àquela tortura toda: por amor ao seu pai e ao seu reino. O que constituiu o sentido de toda ação de Jesus, que foi o amor, não foi muito bem apontado no filme, pois se perdeu tempo com a finalidade choque ao público, o que muitas vezes ocorreu de forma gratuita, ao invés de se privilegiar essa ação do amor ao próximo.
Já, em “A última tentação de Cristo”, o caráter grandioso de Cristo é colocado totalmente de lado e é exposto um Jesus que passa o tempo todo pensando em suas vontades e se lamentando por não poder satisfaz
ê-las por Deus o proibir. O filme ganha créditos, pois apresentou um Jesus humano que dorme, come, chora, sofre, sente medo, se alegra, se diverte, aprende com os erros, sonha, porém não havia necessidade para transmitir essa imagem humana de Cristo de o colocar como um insano, que tem medo de tomar decisões, que não acredita em sua missão e que recorre o tempo todo às paixões como fuga de seus medos. Não podendo se guiar por si próprio Deus aparece como a figura autoritária que o conduz e lhe ordena cada passo sem lhe dar escolhas. A vontade inconsciente dentro de todo homem é bem apontada como característica de Jesus, infelizmente se esquece que ele não era pecador como qualquer outro e que ele via sentido no sacrifício de sua própria vida que teria de fazer.Ambos os filmes quiseram pintar um “tipo” de Jesus, porém os dois exageraram em algum aspecto. “Paixão de Cristo” apelou demais para castigos desumanos para atingir o público e esqueceu de explicitar o caráter humano dele, pois não se pode haver humanidade em alguém que sobrevive a todos aqueles castigos. Já “A última tentação de Cristo” o apontou como um homem dominado por vontades e que só obedecia a ordens de Deus sem perceber sentido em sua missão. Enfim, os dois filmes poderiam ter corrigido esses equívocos e se focado mais no verdadeiro sentido que teve toda a ação de Cristo e de Deus: o amor.

Nenhum comentário:
Postar um comentário