sexta-feira, 25 de abril de 2008

Aproximações e afastamentos entre o I.C. de Kant e o Superego de Freud segundo o trabalho da mestranda Leysereé

No trabalho que Leysereé apresentou à turma se mostrou evidente quais eram os objetivos de sua pesquisa no mestrado: perceber qual a relação existente entre o superego de Freud e o Imperativo Categórico de Kant. A proposta de pesquisa dela dividiu seu texto em 4 capítulos, no primeiro tratou do Imperativo categórico em Kant; depois do conceito de Superego em Freud; no terceiro capítulo expôs comentadores que vinculam os dois temas; e na última parte teve como propósito perceber qual o deslocamento semântico que houve de Kant para Freud.
Sobre o primeiro capítulo pode-se perceber como a ação praticada por um homem qualquer se enquadra em princípios a priori ou em princípios a posteriori. O primeiro conjunto de atitudes se refere aquelas que o sujeito realiza por ter uma ação moral realmente, ou seja, é aquilo que alguém realiza não por medo de castigos, ou por condicionamentos, são princípios universais, objetivos e incondicionados. A busca por uma ação que ocorra em torno desses princípios a priori, que ocorrem na dimensão da lei pode levar o sujeito a uma filosofia de vida transcendental, são fundamentados antes de qualquer razão.
Já no segundo caso, as atitudes baseadas em princípios a posteriori, representam aquelas que se fundam em uma moral da experiência (uma multa, ou algum castigo, por exemplo), do empírico, do condicionamento, do subjetivo, no âmbito do material, do sensível, do prazer ou do desprazer.
A maioria das ações humanas ocorre nesse segundo caso, pois o homem não costuma introjetar lei pura em seu cotidiano, pois ele não é objetivo, e ainda percebe-se nesse capitulo como a boa vontade, a idéia reguladora da razão, é a responsável por formar, por dirigir o ser finito - o homem - sendo que o infinito seria aquele ideal de boa vontade que age sempre pela lei moral pura (sempre a priori).
Enfim, o Imperativo categórico seria aquela lei que não concorda com um fim material, o sujeito que se enquadra nela age de forma que a máxima valha para o universal e não para algum interesse particular, se obedece pelo dever perante a ação moral e não conforme uma obrigação, ma ação patológica por inclinação como ocorre nas ações que tem interesses fundamentando-as.
No segundo capítulo Leysereé trata de tópicos a respeito do pensamento de Freud sobre o superego. Para isso ela manipula conceitos como consciente, pré-consciente, inconsciente, id, ego e finalmente chega ao superego, que pode ser entendido como uma pulsão inconsciente que vem de um recalque, uma atitude que se tem e não se conhece o porque dela, é um resto de pensamento que fica no inconsciente incomodando o sujeito sem que ele entenda o porque.
No próximo capitulo a autora do trabalho menciona os comentadores do assunto, tais como: Allison, beck, Patton, Höffe e Daniel Perez. Sobre as conclusões que ela tirou percebe-se que ela buscou encontrar aproximações e afastamentos entre os dois conceitos abordados (do Imperativo Categórico e do Superego). Uma conclusão percebida entre as demais é que sendo o superego essa pulsão sobre a ação do sujeito sem ele saber, pode-se percebe-lo como uma forma de Imperativo categórico também, pois ambos agem sobre o sujeito como uma direção para suas atitudes.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

"O porteiro da noite"


Considerando-se o trabalho da Leysereé, pode-se perceber como no filme "O porteiro da noite", dirigido por Liliana Cavani há uma amostra de pessoas com mente perturbada e que buscam o passado por terem em seus inconscientes recalques de situações extremas que viveram nele.

No filme, o porteiro seria um ex oficial nazista que tem orgulho de ter servido ao nazismo mas ao mesmo tempo, por ter vergonha dos atos que cometeu no passado trabalha à noite na portaria de um prédio em que, por extrema conhecidencia teve como hópede uma de suas vítimas de tortura no passado. A mulher que ele torturou foi também sua amante na época do nazismo e quando eles se reencontraram uma mistura de paixão e raiva vieram a tona.

A moça que ao mesmo tempo tinha medo dele o procurou e inclusive foi morar com ele e isso revela a perturbação introjetada na mente dela, pois mesmo tendo opção de partir do apartamento ela continua vivendo na situação de medo e paixão que seu passado lhe significou. O homem, por sua vez, abandonou até o emprego para poder estar com ela o tempo todo, perdeu a noção da ralidade e sob ameaça dos outros ex oficiais nazistas (que viam a garota como uma possível delatora e estavam ameaçando a ambos de morte para se verem livres de um possível importúnio) ele fechou-se com ela no apartamento até ficarem sem recurso nenhum lá dentro. Quando os recursos se esgotaram e eles já estavam praticamente fora de si, sairam do apartamento e foram assassinados pelos ex oficiais como atitude de queima de arquivo.

Enfim, o filme ilustra o resto de lembrança que ainda assombra essas duas pessoas: o recalque, tal como Leysereé explicitou em seu trabalho. A obra dirigida por Liliana Cavani mostra como realmente uma mente perturbada busca o passado sem ao menos perceber.

Roteiro do filme de 50 minutinhos...

Roteiro do Filme:

1- Tema:
Estudo de situações sociais extremas e das relações entre poder-saber.
2- Roteiro:
Com base em estudos de Deleuze, Nietzsche e principalmente de Foucault, o filme mostrará um estudo de pessoas que vivem à margem da sociedade: prostíbulos, hospitais, hospícios, prisões e até escolas serão abordados como locais em que se restituem as rupturas, falhas e instabilidade da cultura moderna ocidental.
O vídeo também tem como propósito definir como discursos não são acúmulo linear de verdades, mas sim que eles pertencem a uma prática histórica.
Esses dois objetivos serão alcançados tendo-se em vista, em um primeiro momento, os pensamentos de Foucault. O filme tratará da investigação de um poder que se exerce, da análise de instituições disciplinares que produzem efeitos multiplicados pelas estratégias de saber e de verdade. Portanto, para Foucault, não basta afirmar que o poder reprime, mas sim mostrar os mecanismos de que ele se utiliza: os jogos de força, de combate, de enfrentamento.
Foucault analisa os efeitos de poder/saber sobre o indivíduo; esse poder não é ideológico; ele produz discursos de verdade, ele faz circular em certas instituições o discurso verdadeiro, produtor de saber, pelo qual somos julgados, condenados, classificados, obrigados a tarefas, destinados a uma certa maneira de viver ou a uma certa maneira de morrer, em função de discursos verdadeiros, que trazem consigo efeitos específicos de poder.
As ciências humanas são o alvo dessa análise, pois são elas aquelas que produzem saber que se relaciona a certos tipos de poder, como o de controle das condições de vida, da saúde, da sexualidade, da loucura, da cura...
A genealogia (método utilizado por ele em seus estudos) traz a tona os saberes sujeitados a técnicas de poder e desmascara discursos que se formam em nome de um conhecimento verdadeiro. Esses novos saberes e discursos descobertos pela genealogia devem se fazer valer contra a teoria que os filtra, hierarquiza, ordena. Essa forma de crítica aos discursos e saberes normalizadores não é direcionada aos seus métodos ou aos conceitos de uma ciência e sim aos efeitos de sua institucionalização.
Foucault investe contra as instituições que produzem indivíduos adestrados e pelas quais o poder transita e que tem como finalidade obter um efeito multiplicador de produtos sem custos para o próprio poder soberano investir, usar, colonizar, lucrar. Essas instituições têm um uso político e até ideológico, pois com os discursos carregados de saberes que as sustentam, buscam um efeito incidente sobre o corpo, sujeitando forças, capacitando para o trabalho.
As formações discursivas se ligam a análise que percebe, diagnostica as relações entre saber e poder, as quais, por sua vez tecem o biopoder. O biopoder vem como o poder de gerir a vida da população, sua saúde, possibilitando governamentalidade e ainda gerando a disciplinarização dos corpos dos indivíduos, o que garante obediência e docilidade.
Essa nova modalidade de poder sobre a vida, essa estatização biológica, não atua no nível da filosofia ou da terapia política, mas no nível dos mecanismos técnicos, tecnologias do poder, prolongando os efeitos do poder disciplinar sobre seu alvo vivo, o homem.
A vida de todos, juntamente com seus fenômenos (nascimento, óbito...) é transformação em um só corpo, que pode ser regularizado, tornando mais fácil a análise de doenças que incidem sobre a população, por exemplo, constatando gastos para manter o alicerce produtivo do sistema social. Desse modo é construído todo um aparato para cuidar da higiene pública, há toda uma medicalização da população, disponibilizando seguridade social. Numa palavra, a população é regulamentada.
O biopoder serve também para estabelecer uma linha entre o que deve permanecer vivo e o que deve morrer, fragmenta o campo biológico em termos de raças. Eliminar o anormal, as espécies inferiores, os degenerados, a fim de fortalecer a espécie sadia, que poderá proliferar. A raça, diz Foucault, o racismo, é a condição de aceitabilidade de tirar a vida numa sociedade de normalização. Nazismo, fascismo, são fatores produzidos pela sociedade da normalização e pela normalização da sociedade.
No lugar da lei, a norma; o corpo é adestrado, a população é mantida ativa e saudável, e assim governável pelo biopoder.
Todo esse dispositivo do biopoder que torna o povo governável pode ocorrer dentro da sociedade ocidental moderna graças à “cultura” da confissão que está embutida no interior de cada um. Essa confissão ocorre a todo o momento, confessa-se incessantemente para outro que é considerado dotado de propriedade, seja essa propriedade pedagógica, cientifica, medica, eclesiástica (um padre, um psicólogo, um medico, um professor...). É ela que torna o sujeito conhecível ao governo dando ao soberano subsídios e bases a respeito da realidade de cada grupo ou de cada sujeito em particular, uma vez que, para se governar de forma eficaz o governador deve proteger seu “rebanho” das agruras do dia a dia, e, para que isso ocorra, ele deve conhecer cada um e todos de forma integral.
Enfim, fornecendo esse conteúdo a respeito da vida do povo o governo pode oferecer o que esse sujeito precisa, com isso tem a chance de domesticá-lo, ou seja, conhecendo um sujeito pode-se oferecer o que lhe interessa e assim a governamentabilidade pode se fazer efetivamente, sendo que, cada estratégia de biopoder é destinada a um público alvo graças a esse aparato confessional que cada um dá ao governo, ao soberano, por meio de instituições que servem como meio de captação dessas confissões.
3- Estrutura:
O filme será dividido em 4 partes principais. Primeiro se mostrará as situações de marginalização da sociedade; em segundo como é interessante para o governo conservar e promover essas instituições “normalizadoras” em meio ao plano social; então se mostrará o próprio ato confessional em meio a essas instituições e por último como isso se aplica pelo governo no corpo social através do biopoder.

4- Produção:
O filme será composto por várias entrevistas e depoimentos. Serão coletadas imagens reais em meio às instituições abordadas nesse roteiro e quando isso não for possível elas serão produzidas ficcionalmente pelos próprios alunos responsáveis pela gravação do filme: Geilson, Janaína, Tânia e Allen, graduandos em filosofia pela PUC-PR.

5- Proposta do livro didático:
O filme tem o propósito de incentivar o telespectador a refletir sobre essa situação de docilização à qual ele é submetido para se tornar produtivo em meio a essa sociedade moderna ocidental e isso será feito se estudando as situações extremas da sociedade, situações encontradas à margem do sistema social, à margem da atuação do governo.
Mas por que situações marginais são tomadas como ponto de partida para essa conscientização? Na arqueogenealogia, Michel Foucault estuda as origens de força que nos conduzem a nos tornar o que somos como sujeitos e também enquanto objetos de práticas e de saberes. Pegando instituições de análise que estão num limite da experiência humana (prostíbulos, prisões, conventos, hospícios, escolas), a fim de descrever as bordas de nossa sociedade, ele chega com essas investigações e arquivamentos a resultados que muitas vezes causam estranhamento e um sentimento de distância, como se fossemos estrangeiros em relação a nós mesmos. Da experiência-limite vem as formas de ele constituir o saber, utilizando a ordem das coisas e o pensamento daquele que vive essas experiências-limite. Tentando então trazer a luz esse desnível da cultura ocidental (a sensação de estranheza em relação aos resultados aos quais ele chega), é que ele restitui as rupturas, falhas e instabilidade dessa cultura, infundindo inquietações a seus leitores, conscientizando-os de seus próprios desconhecimentos.


Considerações sobre o trabalho apresentado pela mestranda Sônia à turma

Em sua pesquisa de mestrado Sônia estabelece uma ponte entre a filosofia kantiana e estóica. Estabelece a influência que a filosofia estóica, principalmente com Marco Aurélio e Cícero, teve na filosofia kantiana, no que diz respeito à concepção de virtude, dever e natureza humana. O Imperativo Categórico mostrado por Kant em seus textos é a própria consciência que todo homem possui e que age sobre ele mesmo. Essa consciência, por sua vez, é guiada pela faculdade da razão, também parte do homem, sendo, assim, o agir do homem determinado por ele mesmo. Ou seja, se ele for virtuoso ou não virtuoso a responsabilidade é apenas dele. Para Kant, a virtude é compreendida como força moral das ações, que as guia e visa a dignidade humana, sendo que, se essa virtude designar outro fim se não o próprio enaltecimento do homem ela já não será mais uma virtude. A coragem, por exemplo, sem uma ação voltada ao homem não é uma virtude, ela precisa de uma ação moral recorrente ao engrandecimento humano para validá-la. Uma das definições, dentre diversas, para virtude, em Kant, é esta: “a virtude á a força das máximas do ser humano, no cumprimento de seu dever consigo mesmo e com os outros. A virtude não está por si mesma, mas sim pela ação que ela gera segundo o Imperativo Categórico. O objetivo mais específico de sua pesquisa estabelece-se na obra “Metafísica dos Costumes”, a qual subdivide-se em doutrina do direito e doutrina da virtude. A doutrina do direito não foi abordada e dentro da doutrina da virtude se captou aspectos sobre os deveres do homem consigo e com o outro, a partir da qual se percebeu pela autora da dissertação que a doutrina da virtude como uma condição formal da liberdade, ou seja, o livre arbítrio, é o fim da razão prática. Tendo isso exposto pode-se entender porque há relação de influência da concepção estóica de existência com a virtude em Kant. Entre os estóicos se privilegiava a ação do homem perante si mesmo como forma de crescimento, ascese, e a partir dessa evolução interna o homem poderia se projetar melhor ao outro, melhorando-o também. Em suma o projeto tem como objetivo trabalhar a relação entre o dever de virtude e a antropologia. Mostra-se o dever para consigo mesmo, como preocupação com o meu próprio fim, com a busca da perfeição e o dever para com os outros. Para ambos os momentos, estóico e kantiano, o crescimento que o homem deve buscar dentro de si e para si mesmo, compreende a parcela de responsabilidade que ele tem perante a felicidade dos outros.

Comentário dos filmes: "Paixão de Cristo", de Mel Gibson, em contraposição ao “A última tentação de Cristo”, de Scorcese

Tendo assistido aos filmes: “A última tentação de Cristo”, de Scorcese e “Paixão de Cristo”, de Mel Gibson, pode-se perceber duas visões bem distintas em relação à jornada de Cristo em seus últimos momentos de vida como homem na Terra.
No primeiro filme percebe-se o amor incondicional atribuído por Cristo ao seu Pai e a ao seu reino, nesse caso Jesus abraçou sua missão de salvação do reino e foi fiel até o fim, mesmo que para isso tivesse que enfrentar morte sanguinária na cruz. O castigo apresentou-se nesse primeiro caso de forma tão desumana que aparentou que havia um Deus carrasco e terrível por detrás das torturas que abandonou o filho a tal ponto de ele pensar que não tinha mais um pai protetor. A forma como esses castigos impostos por Pilatos se mostraram no filme fica incoerente com a idéia de que Jesus era “um de nós”, pois não há alguém capaz de sobreviver ao ponto em que chegaram as torturas. Apelou-se muito para a carnificina para chocar ao público e se esqueceu de privilegiar o caráter humano de Jesus, que só diferia dos homens por não ser pecador como eles. Mel Gibson poderia ter explicitado mais o caráter humano de Jesus e ainda apresentado melhor o sentido pelo qual o filho de Deus se submeteu àquela tortura toda: por amor ao seu pai e ao seu reino. O que constituiu o sentido de toda ação de Jesus, que foi o amor, não foi muito bem apontado no filme, pois se perdeu tempo com a finalidade choque ao público, o que muitas vezes ocorreu de forma gratuita, ao invés de se privilegiar essa ação do amor ao próximo.
Já, em “A última tentação de Cristo”, o caráter grandioso de Cristo é colocado totalmente de lado e é exposto um Jesus que passa o tempo todo pensando em suas vontades e se lamentando por não poder satisfazê-las por Deus o proibir. O filme ganha créditos, pois apresentou um Jesus humano que dorme, come, chora, sofre, sente medo, se alegra, se diverte, aprende com os erros, sonha, porém não havia necessidade para transmitir essa imagem humana de Cristo de o colocar como um insano, que tem medo de tomar decisões, que não acredita em sua missão e que recorre o tempo todo às paixões como fuga de seus medos. Não podendo se guiar por si próprio Deus aparece como a figura autoritária que o conduz e lhe ordena cada passo sem lhe dar escolhas. A vontade inconsciente dentro de todo homem é bem apontada como característica de Jesus, infelizmente se esquece que ele não era pecador como qualquer outro e que ele via sentido no sacrifício de sua própria vida que teria de fazer.
Ambos os filmes quiseram pintar um “tipo” de Jesus, porém os dois exageraram em algum aspecto. “Paixão de Cristo” apelou demais para castigos desumanos para atingir o público e esqueceu de explicitar o caráter humano dele, pois não se pode haver humanidade em alguém que sobrevive a todos aqueles castigos. Já “A última tentação de Cristo” o apontou como um homem dominado por vontades e que só obedecia a ordens de Deus sem perceber sentido em sua missão. Enfim, os dois filmes poderiam ter corrigido esses equívocos e se focado mais no verdadeiro sentido que teve toda a ação de Cristo e de Deus: o amor.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

O que o filme "A vida de David Gale" quer transmitir?


Até que ponto uma pessoa defende uma causa? No filme “A vida de David Gale” toda uma trama é travada por manifestantes contra a pena de morte que vigorava no governo vigente na época retratada. A trama culminou num ponto de ação extrema: na morte de dois dos manifestantes. A primeira morte foi a de uma manifestante que pareceu um assassinato e a outra foi do protagonista do filme. A primeira morte acarretou a segunda, pois a culpa pela morte da manifestante recaiu sobre ele, que foi condenado a morte.
Com a morte de Gale, podia-se comprovar a falibilidade do sistema de condenação que ele e seus companheiros tanto combatiam, pois a morte da mulher na verdade foi um suicídio e não assassinato, muito menos um assassinato cometido por Gale. Assim sendo, para se conseguir provar que o sistema judiciário adotado pelo governo era brutal e continha falhas, eles forjaram um assassinato, que na verdade foi um suicídio, pelo qual David foi condenado e executado por um crime que não cometeu.
Combatiam veementemente esse sistema, pois acreditavam que toda forma de vida merecia respeito e que as execuções acarretavam às famílias dos condenados e à sociedade uma frieza perante o próximo, o que não era saudável. Durante o filme ainda se mostrou outro motivo de revolta por parte dos manifestantes, que consistia na contrariedade deles para com a situação de que os executados eram sempre viciados, pessoas sem acesso a advogados de expressão, ou pouco instruídas e desfavorecidas. Ou seja, como um sistema que só condena desfavorecidos pode ser válido, se pessoas de classes mais avantajadas também cometem as mesmas formas de crimes?
Resta ainda entender porque o cúmplice do suicídio da mulher e o próprio Gale, que sabia da realidade da morte, não inocentaram o condenado antes de ele ser executado. Essa atitude foi tomada, pois quase mártires não comprovariam a falibilidade do sistema, pelo contrario, firmaria sua infalibilidade e que o sistema sempre funciona, era preciso realmente uma morte de um inocente para se cessar uma condenação tão brutal e desrespeitosa da sensibilidade e da vida.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Considerações sobre o texto apresentado por Jorge Conceição

No relatório final do PIBIC (06/07), entitulado " A lei moral e a possibilidade de uma religião racional derivada da moral pura", Jorge Vanderlei Costa da Conceição, graduando em filosofia pela PUC-PR, mostra o tema que vem desenvolvendo no decorrer de seu curso e de suas pesquisas junto ao seu orientador: professor, doutor Daniel Omar Perez.
Nesse texto, o obejtivo de Conceiçao é demostrar a possibilidade de uma religião racional ocorrer derivada da moral pura. Para isso ele explora os pensamentos do filósofo alemão Kant, o qual afirma que a moral não precisa da religião enquanto fundamento da lei para funcionar, mas sim que a religião constrói uma referência com fim moral aos seres racionais finitos: os homens.
Para se seguir essa moral pura, Kant apresenta a fé racional que se difrencia da fé eclesiástica, pois se baseia na conciência moral e nas máximas que a moral valida para o homem, ao invés de se firmar, como faz a fé eclesiástica, em bases como tratados, epístolas, ou outros documentos religiosos que só têm confirmação ao homem por causa das autoridades cléricas que as manipulam.
Afirmando essa diferença de fé que se deve apresentar ao se acreditar na moral pura em contraposição à que se apresenta ao se acreditar em religiões; e em meio à investigações de moral e religião e busca de semelhanças e difrenças entre essas duas práticas, Kant acaba se deparando com conceitos de cunho religioso e percebe que uma resignificaçao da religião em um discurso moral prova a derivação que a religião tem da moral pura.
Assim sendo, estudando-se a religião pode-se resignificar seus coneitos em discursos morais e estabelcer uma religião racional da moral pura, o que significaria transfomar os deveres morais em mandamentos divinos. Ou seja, a moral pura natural no homem, que é reprensenta pela realização do "supremo bem", pode ser empregada na construção de uma religião racional e oferecer ao homem uma fé consciente e não uma fé eclesiástica calcada em dogmas ou documentos firmados por autoridades clericais, já o inverso não é possível, pois uma moral canlcada exclusivamente em uma religião originaria formas de fanatismos.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Vídeo sobre os estudos de Jorge Conceição

Análise do texto de Ernani Chaves: "Nietzsche e os destinos da 'arte de curar'"

No texto apresentado por Ernani Chaves, intitulado "Nietzsche e os destinos da "arte de curar", publicado no livro "Filósofos e terapeutas em torno da questão da cura", organizado por Daniel Omar Perez, percebe-se o destino que a poesia que era tão valorizada entre os antigos como "arte de curar' acabou tendo na formação do homem moderno.
Segundo Chaves, Nietzsche afirma que entre os antigos a tragédia teria uma força natural curativa em contraposição ao dionisíaco que ele considerava bárbaro e perigoso à saúde da cultura grega. Dentro da moral antiga, então, perturbações da alma e da cabeça que hoje são tratadas por médicos eram consideradas elementos morais e não eram entregues a médicos. Essas perturbações (principalmente no que diz respeito a nervos e a tranqüilizantes) eram encaminhadas aos filósofos ao invés de serem tratados com alcalinos e narcóticos como nos dias de hoje.
Essa função de cura da poesia tão valorizada entre os antigos nao foi inteiramente erradicada, de alguma forma mesmo nessa época de combate contra crenças e superstições, ainda percebe-se um apreendimento de pessoas ao fascínio que a poesia causa, um exemplo disso pode se explicitar quando pessoas recorrem aos poetas para dar força e sustentabilidade ao seu pensamento.
Com a formação do homem no ocidente cada vez menos grego a arte de curar acabou se direcionando ao "ideal ascético" propulsor de toda religião. A condição doentia do tipo homem nesse contexto corresponde a um homem inchado por ódio, vingança, rancor, inveja e esse acúmulo de energia tende a implodir colocando em risco a si e ao restante da sociedade. O "sacerdote ascético" é aquele que "descarrega" esses sentimentos sem causar danos à comunidade, fazendo com que o ressentimento se volte para o próprio sujeito e não para o outro. Dessa forma, essa energia negativa para comunidade permanece dentro dele na forma de pecado ou culpa e a sociedade tem sua continuidade assegurada através desse entorpecimento da dor através do afeto. Essa atitude é característica do sucesso das religiões.
Essa "arte de curar" que ajudava o "paciente" na descarga das perturbações, não teria espaço nos dias de hoje a não ser que tivesse seu sentido absolutamente pervertido, como se percebe no caso da atividade do "sacerdote ascético", modelo mais acabado dessa absoluta perversão, modelo que se torna eficaz nessa sociedade moderna do espetáculo.
Nietzsche vai considerar a "medicação" oferecida pelo "sacerdote ascético" inicialmente como de ação "hipnotizadora", com a finalidade de reduzir o sentimento de vitalidade que resulta na "renúnica de si"; em seguida com a ação de "benção do trabalho' acostumando a sociedade à "atividade maquinal"; e ainda como a prescrição de uma pequena alegria baseada no ideal do "amor ao próximo", pressuposto das instituições de ação benemérita. Esse "remédio" é eficaz quando fornecido à "formação do rebanho", pois corresponde à aversão de si em contraposição ao alívio que "associar-se" causa perante o sentimento de fraqueza sobre o qual as religiões trabalham.
Ao contrário dessa cultura moderna que perece devido a essa forma de arte do "sacerdote ascético" que hipnotiza e acalma, Nietzsche afirma em o "Nascimento da tragédia" que a cultura grega foi salva de perecer desse mesmo mal graças à arte: primeiro através da arte apolínea e depois pela tragédia. Epopéia e tragédia seriam o veneno contra o pessimismo.
A arte continua sendo um grande estímulo para a vida, porém é preciso combater as forças artísticas que enfraquecem esse potencial emancipatório dela. Um exemplo de arte sem potencial mostrada por Nietzsche é a arte de Wagner, à qual ele considerava arte para exaustos, pois é o rebanho que a busca para alívio, por esse motivo, o filosofo descreve esse artista como hipnotizador e mago, asim como descrevia o "sacerdote ascético".
Enfim, a mescla de poesia, música e dança se dissimulou de uma arte de curar como era vista na antiguidade para se tornar na cultura ocidental moderna um narcótico favorecedor da formação do rebanho entorpecido que se percebe facilmente nos dias de hoje.

A arte vista como forma de cura entre os gregos antigos, se tornou apenas essa coisa "hipnotizadora" que a mídia nos impõe atualmente

"Antígona"

A tragédia escrita por Sófocles que diz respeito à Édipo e sua família é subdividida em três partes. A primeira etapa se dá em "Édipo Rei", a segunda em"Édipo em Colono" e a terceira, e última, em "Antígona".A personagem principal, Antígona, é filha de Édipo (Este que foi destinado pelos oráculos dos deuses a copular com sua própria mãe e matar seu pai. O qual depois da concretização da profecia é destinado á um exílio) e Jocasta (esposa e mãe de Édipo). Irmã de Ismênia, Etéocles e Polinice.
Na primeira etapa de sua existência, em "Édipo Rei" esta é uma jovem que presencia a desgraça do pai e recebe deste conselhos no ápice do drama existencial dele. Já no segundo momento, em "Édipo em Colono", a moça serve de guia para o pai cego e exilado e com este permanece até o momento da morte dessa figura paterna. como o foco desse texto é a terceira parte da tragédia, cabe-se a ela um relato mais detalhado.
O desenvolvimento da história segue o caminho do retorno de Antígona à Tebas. Com o banimento e morte do seu pai, ela necessita lutar contra a autoridade opressora do novo rei, seu tio, Creonte. No seu retorno, encontra seu irmão, Polinice, desacreditado e rotulado de traidor (dada a disputa de seus irmãos pelo trono). Com a morte de Polinice começa o novo drama de Antígona, pois a pena de traição impossibilitava o enterro do falecido. Nesse ponto da história resplandece a ambivalência heróica dessa personagem principal, Antígona é capaz de morrer para que o irmão fosse sepultado. Ela chegou ao extremo da morte para ver os princípios nos quais acreditava serem colocados em prática.
A honra é colocada como base de toda a obra, e o seu desenrolar se baseia exatamente nas relações da família para com a sociedade. A honra e o amor à família são enaltecidos e colocados em conflito perante todos. O desenrolar de todos os acontecimentos da peça giram em torno desta questão; valores são enaltecidos e ao mesmo tempo rebaixados, uma mescla antagônica típica da tragédia grega.No entanto, o sentimento de amor à família e todos os outros valores são colocados em foco, por se tratar da instituição familiar. Mesmo com o pai tendo cometido tal barbárie, Antígona continua ao seu lado.
Enfim, este escrito de Sófocles denota a perspicácia utilizada pelo autor para abordar temas conflituosos que desencadeiam grandes reflexões, através de elementos míticos. Cabe, todavia, à quem acompanha o desenrolar da peça emitir o juízo sobre estas questões, se estão corretas ou erradas, por que motivos e o porque das conseqüências mostradas.

Comentário sobre a tragédia de Sófocles: Édipo Rei

Figura: Sófocles, autor da trilogia de Édipo rei.

Tendo feita a leitura da tragédia de Sófocles "Édipo Rei", percebe-se como a mitologia, retratada anteriormente por Homero em "Odisseia" e "Ilíada", já não é a única fonte de busca de verdades a partir das obras trágica. Nos poemas homéricos atribuía-se aos deuses todos os acontecimentos políticos, econômicos, ou de caráter pessoal (sucesso, fragilidades, fracassos), já na tragédia de Sófocles outros meios de acesso a verdade são tomados como forma de investigação quando se decide solucionar o evento da morte de Laio, rei que precedeu Édipo no trono. A culpa não é atribuída arbitrariamente aos deuses, toda uma investigação é feita em torno do ocorrido na busca pela conclusão mais verificável.
Para solucionar essa morte, Édipo recorre aos oráculos, trás à tona velhas previsões e com isso caba por descobrir seu real passado e entende o porque do caos que estava assolando a cidade. Com as conclusões às quais se chegou, Jocasta, mãe-esposa de Édipo, se mata e o personagem principal se cega como castigo por toda a tragédia que promoveu por ter nascido.
Como percebe-se em outras obras que não são especificamente filosóficas essa peça teatral é repleta de críticas filosóficas que terminam com uma lição de moral compatível com os interesses morais da época tratada. Um exemplo de questionamento filosófico trabalhado nessa obra é a constestação do quanto se deve acreditar nos sentidos. Em uma fala do protagonista: "Tirésias mesmo cego enchergastes", é comprovado como o empirismo não é mais visto como única fonte de coleta de conhecimentos, outro fato dentro da história que demosntra isso é que Édipo, que se achava o grande solocionador de mistéiros, só tomou conhecimento do mistério que rondou sua vida depois de cego.
Com toda essa história, percebe-se, ainda, como a vida muitas vezes implica sofrimento e pessimismo, mas mesmo assim é válida de ser vivida, mesmo após essa grande tragédia e esse castigo extremo que Édipo viveu ele ainda não nega a plenitude de continuar vivendo, não se mata, prefere conviver com a mal ocorrido.