sexta-feira, 14 de março de 2008

Uma forma de se ler o filme: Filhos da esperança

Que sentido haveria em enfrentar uma vida sem a existência do futuro? O filme, filhos da esperança mostra um mundo em que já não existe esse futuro, relata um mundo fictício para 2027, em que a fertilidade humana se acabou e as pessoas se vêem em meio a um caos. A vida se torna sem esperanças de possibilidades e os objetivos já não têm sentido em longo prazo.
Em meio a toda essa turbulência uma mulher surge grávida e pessoas que já viviam sem projeto de vida nenhum revêem um motivo para se valorizar a vida, pois não querem que cem anos mais tarde nada mais do que eles conhecem exista.
Durante o filme vários surtos de fé e descrença sem chocam, discursos como: “para que se importar se a vida faz suas próprias escolhas”, se confrontam com rituais e demonstrações de fé nos quais ainda se vê um amparo e um feixe de vontade de viver na religião. Essa perda de rumo em que os personagens do filme se encontram comprova que todos precisam perceber possibilidades e condições além de sua própria existência, não existe quem possa ser egoísta o suficiente ao pensar que o resto da humanidade não faz diferença e que não implica na sua vida pessoal, ninguém é capaz de sair de sua condição humana e não se importar de forma alguma por lutas políticas, religiosas, econômicas. Quase no fim do filme uma cena emocionante mostra como o poder excludente e opressivo da sociedade se extingue quando todos se deparam com um objetivo comum. Isso se dá quando os exércitos cessam fogo, pois a moça está passando com o bebê no colo e todos escutam o choro da criança. O filme comprova, então, como não há fuga perante perguntas em comum como “quem somos”, ou “para onde vamos”; o coletivo, a sociedade, acaba afetando a todos e o que se deve é aceitar essa interferência e tentar torná-la a mais positiva possível, buscando refletir sobre como se deve viver para não que ainda haja futuro e próximas gerações também tenham a oportunidade de viver.

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