sexta-feira, 14 de março de 2008

Resenha sobre a "Odisséia"


Figura: o navio de Ulisses num mosaico do século III

Na “Odisséia” se demonstra com grande esplendor a estrutura espiritual do período épico grego. Os povos lutam entre si e clamam aos deuses com preces e sacrifícios por ajuda. Isso acaba por colocar os deuses em uma situação delicada, que fragiliza a onipotência e a justiça imparcial do poder divino. A partir disso acaba-se revelando uma concepção um tanto quanto coerente e sistemática do governo dos deuses.
A odisséia relata os dez anos de peregrinação de Ulisses em seu regresso a Ítaca, após a destruição de Tróia. A base histórica do poema homérico é questionada, mas estudiosos desse poeta a vêem como sendo a busca do estanho, o qual era quase inexistente na Helade e o ferro também era raro. Possuindo o cobre, mas cobiçando o bronze, os helenos desse tempo heróico como revelado no filme, organizaram a rota do estanho.
A narrativa pode ter sido, então, o mascaramento da busca desse mineral raro ao norte da Etrúria com o conseqüente descobrimento das rotas marítimas do ocidente, porém o caráter de aventuras e heroísmo acrescido a esse fato histórico por Homero engrandeceu e acrescentou espanto à grande nostalgia de Ulisses, o qual foi elevado a ancestral dos velhos marinheiros e explorador de mares desconhecidos, cujos mitos se espalhavam de portos em portos, do oriente ao ocidente: monstros, sereias, ilhas flutuantes, gigantes e ervas milagrosas foram recursos que Homero aplicou genialmente a sua obra e que a elevou a um poema insuperável juntamente com a “Ilíada”, os quais até hoje constituem e representam o arquétipo épico ocidental.

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