sábado, 15 de março de 2008

Texto sobre a introdução do livro "Filósofos e terapeutas, em torno da questão da cura"


A terapia de si mesmo pode ser vista nos trâmites da filosofia de formas muito distintas. Já na introdução do livro o professor e doutor em filosofia Daniel Omar Perez demonstra algumas vertentes filosóficas que se preocuparam em estabelecer conceitos em torno desse tema.
Para filósofos professores a terapia seria a criação de um modo de ser contra o mal estar de uma existência desagradável. Esse processo se daria sem o recurso de receituários prontos, mas sim se instalaria como propiciadora de condições para que o sujeito descubra o melhor caminho para si mesmo.
Entre os pitagóricos a contemplação, a meditação, a abstinência, as técnicas de purificação (escutar músicas suaves, sentir perfumes agradáveis...), o exame da consciência antes de dormir são exercícios de controle dos desejos, os quais seriam atitudes propedêuticas, indispensáveis para libertação da alma.
Entre os cínicos, a terapia viria como a objetivação de uma vida sem artifícios, sem mentiras, sem dono, doenças. A cura seria a conseqüência dessa vida.
Na seqüência são feitas ponderações sobre a escola de Hipocrates. Segundo essa vertente de pensamento existiam duas medicinas, uma para escravos (que tinha caráter reparatório, apenas para os manter aptos para o trabalho), e uma medicina para homens livres (que era preventiva). O médico deveria se comprometer com um caráter comunitário e conhecer a fundo a natureza do homem tendo como base a medicina e a filosofia, entendendo, assim, como o homem se relaciona com alimentos, bebidas e hábitos.
No epicurismo o modo de vida sugerido como forma de cura consistiria em um cuidado de si constante e não só em momentos de perigo e crise: conhecer tudo que diz respeito a nós mesmos independente do momento. Os membros dessa escola se afastam da política e dos cargos públicos porque essas atividades, segundo eles, não proporcionariam bem e eram vistas como contrárias ao filosofar, pois não favoreciam o caminho para o alcance da felicidade.
Para cristãos e judeus o tratamento se dava no encontro com Deus. Deve-se tratar corpo e psique através do desapego de prazeres, do livrar-se das desorientações que os desejos causam, das tristezas e dos medos. Esse tratamento se dá a partir da renúncia das vontades da vida mundana e a finalidade com isso seria a cura eterna.
Rousseau, nessa seqüência histórica, vem retomando o conhece-te a ti mesmo. Segundo ele, ao se conhecer o homem se vê em um estado de natureza e se cura das doenças. Uma vez que doença e a vida em sociedade para ele estão ligadas, seria a sociedade a causadora das doenças, e a forma de se safar dessas enfermidades seria conhecendo-se.
A ciência e as práticas terapêuticas devem ter um crivo, um cuidado com a filtração dos profissionais que trabalharão nessa área em nome da saúde pública, afinal não se pode brincar com o processo de formação de um modo de vida.
Outros filósofos clássicos tratam do tema da cura. Montaigne, Nietzsche, Wittgenstein, Sêneca, Kant, são exemplos de filósofos que trataram do tema e terão suas conclusões abordadas no decorrer do livro. Enfim, a cura é um tema muito valorizado e continua sendo atualmente entre filósofos, e deve ser tratado com o maior respeito, pois traduz a formação de modos de vida que com certeza refletirão no restante da sociedade.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Resenha sobre o filme: Gladiador

Ao assistir o filme “Gladiador”, percebe-se que o contexto no qual ele se insere é referente ao Baixo Império, na época do governo de Marco Aurélio, em que o Império Romano se enquadrava numa época de crise devido a invasões bárbaras que se prorrogaram até a queda do império em 476.
Logo no início do filme Máximo, comandante de uma frente do exercito romano, e personagem principal da trama, fica sabendo que seu imperador Marco Aurélio está pretendo lhe passar o comando do império, pois já se percebe velho e ciente da sua morte. Ao saber disso o filho do imperador, Cômodo, promove a morte do pai para tomar o poder antes de Máximo. O plano de Cômodo se efetiva e ele toma o poder.
Enquanto Cômodo assume o trono, Máximo, que escapa da morte em meio à batalha contra invasores germânicos, torna-se escravo e gladiador, sendo submetido a travar batalhas no Coliseu, o que significava a nova forma de divertimento dos romanos em meio à política do “pão e circo” que se via instaurada na época.Durante o filme, Máximo se esforça por vencer as batalhas no Coliseu para se ver bem aos olhos do povo e poder atingir seu objetivo maior, que é a vingança pessoal contra Cômodo, o qual, além de ter assumido o poder como fez, ainda ocasionou o motivo maior para a ira do gladiador: a morte de sua família.
Ainda em relação a esse cenário em que o filme se desenvolve vale ressaltar que ele abrigava até 100 mil pessoas e, além de ser utilizado para combate de gladiadores, era palco para o martírio de inúmeros cristãos. Esses durante séculos foram discriminados e perseguidos pelos romanos, para posteriormente serem aceitos, e ainda, décadas depois, verem o cristianismo ser elevado à religião oficial do Império.
O filme demonstra com cenas um tanto quanto brutais como pessoas se deixam levar por poder e começam a fazer coisas sem sentido. A inversão de valores, o vale tudo que o poder despertou em Cômodo não é um caso isolado, e com muita propriedade as atitudes tomadas por ele servem de modelo de um caráter ao qual não se deve seguir. Afinal, o maior dos reis seria aquele que detém todo poder em suas mãos e mesmo assim mantém o bom senso perante seus súditos.

Uma forma de se ler o filme: Filhos da esperança

Que sentido haveria em enfrentar uma vida sem a existência do futuro? O filme, filhos da esperança mostra um mundo em que já não existe esse futuro, relata um mundo fictício para 2027, em que a fertilidade humana se acabou e as pessoas se vêem em meio a um caos. A vida se torna sem esperanças de possibilidades e os objetivos já não têm sentido em longo prazo.
Em meio a toda essa turbulência uma mulher surge grávida e pessoas que já viviam sem projeto de vida nenhum revêem um motivo para se valorizar a vida, pois não querem que cem anos mais tarde nada mais do que eles conhecem exista.
Durante o filme vários surtos de fé e descrença sem chocam, discursos como: “para que se importar se a vida faz suas próprias escolhas”, se confrontam com rituais e demonstrações de fé nos quais ainda se vê um amparo e um feixe de vontade de viver na religião. Essa perda de rumo em que os personagens do filme se encontram comprova que todos precisam perceber possibilidades e condições além de sua própria existência, não existe quem possa ser egoísta o suficiente ao pensar que o resto da humanidade não faz diferença e que não implica na sua vida pessoal, ninguém é capaz de sair de sua condição humana e não se importar de forma alguma por lutas políticas, religiosas, econômicas. Quase no fim do filme uma cena emocionante mostra como o poder excludente e opressivo da sociedade se extingue quando todos se deparam com um objetivo comum. Isso se dá quando os exércitos cessam fogo, pois a moça está passando com o bebê no colo e todos escutam o choro da criança. O filme comprova, então, como não há fuga perante perguntas em comum como “quem somos”, ou “para onde vamos”; o coletivo, a sociedade, acaba afetando a todos e o que se deve é aceitar essa interferência e tentar torná-la a mais positiva possível, buscando refletir sobre como se deve viver para não que ainda haja futuro e próximas gerações também tenham a oportunidade de viver.

Resenha sobre a "Odisséia"


Figura: o navio de Ulisses num mosaico do século III

Na “Odisséia” se demonstra com grande esplendor a estrutura espiritual do período épico grego. Os povos lutam entre si e clamam aos deuses com preces e sacrifícios por ajuda. Isso acaba por colocar os deuses em uma situação delicada, que fragiliza a onipotência e a justiça imparcial do poder divino. A partir disso acaba-se revelando uma concepção um tanto quanto coerente e sistemática do governo dos deuses.
A odisséia relata os dez anos de peregrinação de Ulisses em seu regresso a Ítaca, após a destruição de Tróia. A base histórica do poema homérico é questionada, mas estudiosos desse poeta a vêem como sendo a busca do estanho, o qual era quase inexistente na Helade e o ferro também era raro. Possuindo o cobre, mas cobiçando o bronze, os helenos desse tempo heróico como revelado no filme, organizaram a rota do estanho.
A narrativa pode ter sido, então, o mascaramento da busca desse mineral raro ao norte da Etrúria com o conseqüente descobrimento das rotas marítimas do ocidente, porém o caráter de aventuras e heroísmo acrescido a esse fato histórico por Homero engrandeceu e acrescentou espanto à grande nostalgia de Ulisses, o qual foi elevado a ancestral dos velhos marinheiros e explorador de mares desconhecidos, cujos mitos se espalhavam de portos em portos, do oriente ao ocidente: monstros, sereias, ilhas flutuantes, gigantes e ervas milagrosas foram recursos que Homero aplicou genialmente a sua obra e que a elevou a um poema insuperável juntamente com a “Ilíada”, os quais até hoje constituem e representam o arquétipo épico ocidental.

Resenha sobre o filme: Tróia


Figura: o lendário "Cavalo de Tróia"

No decorrer do filme Tróia, percebe-se como as ações humanas se confundiam com a religiosidade e a mitologia na época da guerra travada entre gregos e troianos como retratado. Aos deuses se atribuíam as vitórias, as derrotas, a glória, a fama e até fatores físicos climáticos. Deixava-se de lado evidências numéricas, lógicas e empíricas para se consultar sacerdotes que tinham acesso aos deuses e por isso saberiam qual o melhor caminho a se trilhar, qual a melhor atitude a se tomar. Os deuses atuavam, então, nos acontecimentos religiosos e políticos tomando partido por este ou aquele conforme tinham pretensão de prestar favores ou tirar vantagens. Eles agiam nas ações e padecimentos humanos e isso engatilhava a forma de ética corrente na época.
As verdades se garantiam, então, utilizando-se o recurso à autoridade divina e não se dava o mesmo valor às práticas cientificas na comprovação dessas verdades, o recurso à palavra divina já era por si próprio fonte de confirmação e eram analisados conforme fatores climáticos, de saúde ou de sorte que serviam como sinais da “benção” ou não dos deuses.
Durante o filme, muitos momentos explicitam essa devoção, por exemplo: quando a peste tomou os soldados gregos já no fim do filme os troianos atribuíram o ocorrido aos deuses, concluíram que a praga era castigo divino perante os invasores, pois no início do filme, quando a praia foi tomada pelos soldados gregos, eles desrespeitaram o templo do deus Apolo.
Pode-se entender, então, que na saga homérica existiam três classes de homens: povo, heróis e deuses, sendo que a última classe era privilegiada, pois tinha a peculiaridade da imortalidade. Hoje em dia também se percebe uma enorme devoção ao divino, é comum se escutar: “graças a Deus”, ou “foi Deus quem quis assim”, enfim, da mesma forma se vangloria o poder de um deus, porém o culto atual tem como foco num deus transcendental, sem vícios, desejos, ou defeitos humanos, enquanto naquela época os deuses também tinham suas ambições, quimeras, implicâncias.

terça-feira, 11 de março de 2008

Considerações sobre o nascimento da filosofia


Entre os povos de cultura mediterrânea costuma se confundir a filosofia antiga com a filosofia grega. Ocorre a valorização da segunda, pois foi ela que despertou as raízes da curiosidade por aprender problemas por detrás da aparência móvel e inconstante das coisas, foi através dela que essas civilizações receberam os primeiros juízos de valor e é nela que se encontram os pressupostos para a origem do humanismo clássico. No entanto, o nascimento da filosofia não é grego, há um trajeto de caráter filosófico percorrido até se chegar à Atenas dos séculos V e IV onde se assistiu à imersão do talento de Sócrates, de Platão e de Aristóteles.
Primeiramente deve-se ressaltar toda poética homérica dos séculos X-VIII a.C., que deixou obras como “A Ilíada” e “A Odisséia”. Outro expoente nessa vertente poética é Hesíodo juntamente com suas obras a “Teogonia” e “Os trabalhos e os dias”, as quais já demonstram o anseio de seus autores por conhecimento e descrições além da face imediata dos acontecimentos da realidade.
Na seqüência deve-se dar atenção às tragédias de Sófocles (IV a.C.). Antígona e Édipo foram peças teatrais passíveis de inúmeras reflexões filosóficas, apenas como exemplo segue uma frase do personagem principal de “Édipo rei” a respeito de um velho sábio e cego de seu reino: “Creio que Tirésias, mesmo cego, enxergastes”. Essa frase ilustra um questionamento sobre a relação sentidos e sabedoria, mostra que não se deve ter os meios empíricos como única fonte de conhecimento, sendo uma pessoa presa exclusivamente aos sentidos limitada.
Após essa etapa poética e trágica do nascimento da filosofia chega-se às produções originadas na Jônia, primeira região helênica a produzir um pensamento propriamente filosófico. Nesse contexto se destacam os primeiros físicos Tales de Mileto e seus discípulos Anaximandro e Anaxímenes, os quais estabeleceram analogicamente relações entre figuras geométricas definidas e fixas com a vida embrionária, biológica.
Com eles se iniciaram as discussões sobre cosmogonia, ou seja, procuravam esclarecer o elemento unificador das coisas, qual o elemento que existe em todas as coisas e constrói a identidade dessas coisas para posteriormente permitir que elas se reúnam no todo supremo, já que filosofia não pretende ver apenas diversidade das coisas, mas também seu todo. Tales designou a água como esse elemento unificador e princípio das coisas; Anaximandro por não concordar com a idéia de um elemento com características tão particulares como a água dar origem a coisas tão distintas a ela como sol ou terra, atribui esse papel unificador ao apeíron, o qual seria uma substância que carrega todos os contrários, a unidade originária de tudo contém os opostos sempre reunidos, unificados e guardados. Anaximandro atribui a uma força divina o governo desse apeíron formador de todas as coisas e com isso acaba suscitando muito dos problemas que serão pano de fundo de toda filosofia ocidental. Anaxímenes vem em seguida questionando esse apeíron, pois se a origem de tudo for atribuída a uma substância isso não explicaria a causa que determina o processo cósmico.
Heráclito é outro filosofo dessa região jônica, para o qual se o calor não se opusesse ao frio, o dia à noite, a saciedade à fome, não existiria calor, dia e saciedade, pois a discordância e a oposição são o próprio princípio de concordância e unidade das coisas. A Jônia se mostra, então, o principal centro de cultura helênica desde o período arcaico até o século VI, pouco depois é substituída pelas cidades de Siracusa, Leontinos e Agrigento, na Sicília e por Crotona e Eléia na Itália. De Eléia se vêem os trabalhos de Xenófanes que escreve sobre a eternidade e a unidade do mesmo; e Parmênides que defende a imutabilidade do ser.
A partir desse momento a história da filosofia se confunde com a história de Atenas, e mesmo após sua ruína devido à guerra do Peloponeso continua a exercer influência cultural determinante na cultura ocidental. A glória de Atenas continuou inabalável devido às conquistas de Alexandre que abriram caminho à expansão desse espírito grego por onde suas conquistas caminhavam, Alexandria representou um local de retransmissão da cultura ateniense. Mas por que todo esse glamour se relaciona à Atenas? Simplesmente porque foi nela que habitou Sócrates, o “grande divisor de águas” da filosofia, que direcionou os pensamentos filosóficos para o indivíduo, cobrando de seus discípulos o cuidado de si, e ainda abriu espaço para estudos metafísicos; Platão vem como uma desses discípulos, e ele dá uma resposta a questão da essência das coisas. Heráclito já dizia que tudo flui, Platão acrescenta a isso que algo permanece, persiste e representa a essência das coisas, o que seria a idéia. Em resposta a Platão vem seu discípulo Aristóteles para o qual a verdade não está na idéia, mas sim na relação matéria e forma que confere particularidade e cada coisa. Após Aristóteles, vem a época do grande conquistador Alexandre, e Zenão funda no início do século III a escola estóica exprimindo-se sobre o Pórtico, e o Jardim assiste ao desabrochar do Epicurismo.
Enfim, todas as características marcantes da filosofia grega: a força perturbadora característica da metafísica pré-socrática, o poder da interrogação que define Sócrates, o gosto de Platão pelo mistério idealístico, o rigor consciencioso de Aristóteles interessado em juízos exatos sobre os objetos do mundo, acabam se diluindo em meio a cultura latina e o período de Alexandre vê nascer o estoicismo, o epicurismo e a ceticismo, cujo êxito já se mistura com o mundo romano, porém essa já seria uma outra história.

Referências bibliográficas

FOUCAULT, Michel. A hermenêutica do sujeito. São Paulo: Martin Fontes, 2004.

DUMONT, Jean-Paul. A filosofia antiga. Lisboa: edições 70, 1962.

SEVERINO, Emanuele. A filosofia antiga. Lisboa: edições 70, 1984.

ALVES, M. dos Santos. Os pré-socrático. Lisboa: textos filosóficos, 1985.

Sobre o título desse blog


Figura: foto de Michel Foucault, afinal tenho aprendido muito com ele.

Tendo em vista o livro " A hermenêutica do sujeito", de Michel Foucault, percebe-se que entre os antigos, a ética vem como um conjunto de normas de conduta que tem como finalidade o alcance da verdade, verdade como um sentido de matriz de ações. Quem segue esses conselhos tem um aparato suficiente para agüentar as vicissitudes da existência. E essa aquisição de ações só ocorre se o sujeito se predispõe a uma ascese (elevação), a qual prescinde de um cuidado consigo.
Segundo Michel Foucault, o conhecimento de si (gnôthi seautoû), fundado entre os antigos, é sempre referido ao princípio capital do cuidado de si (epiméleia heautoû). A exaltação do primeiro imperativo só ocorre, pois, nessa época, na cidade de Delfos, considerada o centro geográfico do mundo, se encontrava o templo de Apolo com a inscrição “gnôthi seautôu”. Na realidade, segundo esse pensador, o “conheci-te a ti mesmo” faz parte de um conjunto de recomendações referentes ao modo adequado pelo qual alguém deve se preparar para consultar o deus Apolo. Assim, é preciso evitar questões inúteis reduzindo-as ao necessário (“nada em demasia”), é também necessário prescindir promessas que não se pode cumprir (“comprometer-se traz infelicidade”) e ainda há a necessidade de se examinar o que realmente é preciso saber (“conhece-te a ti mesmo”).


Esse imperativo “conhece-te a ti mesmo” surge na filosofia em torno da figura de Sócrates. Platão, em “Defesa de Sócrates”, indica que esse imperativo constitui um desdobramento do principio do cuidado de si, uma vez que Sócrates sempre buscou impelir os outros a se ocuparem de si mesmos, a terem cuidados consigo (no próprio livro é mostrada a orientação que ele confere a Alcebíades na conversão a si para que o discípulo pudesse ter qualidades para se tornar efetivamente governador de seu povo). O solo da epiméleia heautoû (cuidado de si) diz respeito, então, à atitude diferente consigo, com os outros e com o mundo; indica a conversão do olhar do exterior para o interior (vigilância do que ocorre no pensamento); sugere ações exercidas de si para consigo mediante as quais alguém tenta modificar-se; designa maneiras de ser, de práticas para a relação entre sujeito e verdade e formas de reflexão.