quinta-feira, 8 de maio de 2008

"O belo como símbolo de moralidade", pelo mestrando Luciano

Após assistir a apresentação de Luciano sobre seu trabalho de mestrado, pode-se chegar a conclusões bem diferentes das observadas no âmbito do senso comum em relação ao belo. Nesse senso comum é corriqueiro escutar pessoas dizendo que belo é isso ou aquilo (um objeto ou outro), mas sem saber definir realmente o conceito de belo. No trabalho apresentado o mestrando tenta comprovar como o belo pode ser um símbolo de moralidade, um símbolo que favorece a moralidade.
O percurso que ele segue no trabalho perpassa por várias obras de Kant. Estuda a “Crítica da razão pura” para conseguir separar o sujeito do conhecimento da moral e da estética; em seguida trabalha com a “Crítica da razão prática” para delimitar possibilidades de um juízo moral e conseqüentemente de uma sensibilidade; depois trata da “Crítica das faculdades de julgar” para traduzir um juízo de gosto sublime, sem interferências de ordem material, de sensibilidade física.
Com todas essas leituras e constatações Luciano pode comprovar como o belo pode ser um símbolo moral. Como favorecedor moral, o símbolo viria como uma leitura que se faz de algo que colabora para o agir moral, afinal nesse aspecto o belo não dependeria da moralidade particular e não teria uma definição objetiva e não precisaria existir em concordância com gostos, simplesmente seria uma leitura que privilegiaria a moral a priori, separando atitudes morais de apetites. O belo tem função, então, na sensibilidade a priori, pois o símbolo ao qual se atribui essa qualidade permite moral à priori, uma vez que separa essa atribuição de apetites particulares e objetivos.
Para se entender essas atribuições da qualidade do belo a algo se deve seguir algumas pontes de partida para que a razão a priori consiga entender essa experiência. Como princípio de moral a priori, por exemplo, não se deve importar com a perda da felicidade no momento da experiência, deve-se sim fazer algo a priori e pronto, mesmo não seguindo seu apetite particular. Para isso serve a lei, pois ela não teria sentido se não carregasse obrigatoriedade no seu dever, quando se sabe que se pode cumprir ou não e se cumpre ela por consciência é que se está sendo moral. O símbolo do belo pode aparecer também como um símbolo de moralidade na medida em que ele é independente desses mesmos apetites particulares que se deve deixar de lado ao seguir a lei moral. Afinal, o belo, diz Kant, "é o que agrada universalmente, sem relação com qualquer conceito".

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